Introdução

Bem vindos ao Política Sem Romance, um podcast de análises políticas.

 

Meu nome é Rodolpho Talaisys Bernabel, sou cientista político e pretendo trazer até você episódios semanais analisando um ou mais assuntos da política.

Minha intenção é usar os conhecimentos trazidos pela ciência política para tentarmos compreender melhor as questões que nos interessam.

Apenas para fazer um resumo da minha formação acadêmica, sou formado em ciências sociais pela Universidade de São Paulo e estou terminando um doutorado em ciência política pela New York University.

Meu assunto principal de pesquisas são as instituições políticas, em geral estudo como elas impactam o comportamento de políticos e cidadãos.

Entre os tópicos que já investiguei estão as regras eleitorais do Congresso Nacional, o direito de propriedade sobre recursos naturais, a relação entre federalismo e corrupção, entre outros.

Faço uso de teoria dos jogos, experimentos de laboratório e dados observacionais em minhas pesquisas.

Tenho uma página pessoal onde coloco minhas informações acadêmicas tais como currículo, artigos publicados e em progresso, filiação institucional etc.

O endereço é www.rodolphobernabel.com. Atualmente, estou estou colaborando com o blog Estado da Arte do jornal O Estado de São Paulo.

Procurarei ecoar aqui os textos que publico lá. O endereço do blog é cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/.

Caso queira fazer algum comentário, sugestão ou crítica, por favor mande um email para contato@politicasemromance.com.br.

Sem mais delongas, vamos ao primeiro tema do podcast.

Quero falar sobre o nome que escolhi para o programa. Política Sem Romance.

Essa construção foi dada por um economista americano chamado James Buchanan, criador da Teoria da Escolha Pública, ganhador do prêmio Nobel de economia em 1986, e falecido em 2013.

Buchanan analisava os políticos como indivíduos autointeressados, que buscam o que é melhor para si mesmos, apenas fazendo uso da política para isso.

Assim como uma pessoa no setor privado usas os meios que o mercado lhe dispõe para promover seu auto-interesse, um político usa os meios que a política lhe dispõe.

A crítica de Buchanan era a uma visão romântica da política, na qual os políticos seriam pessoas diferentes do restante da população, altruístas, que pensam no bem comum, e que o governo – nada mais que um agregado de políticos – teria em vista o bem da população na confecção de leis e políticas públicas.

O problema é que ninguém explicava que transformação metafísica ocorria no indivíduo quando ele deixava o mercado e entrava na política.

É mais apropriado, do ponto de vista científico, assumir que os políticos querem primeiramente o seu próprio bem, assim como nós queremos o nosso.

Por isso Buchanan recomendava que tivéssemos uma visão não romantizada da política, que analisássemos a política sem romance.

No site do podcast há um link para o texto do Buchanan onde ele usa essa espressão. http://www.montana.edu/hfretwell/documents/332/buchananpublicchoice.pdf

É isto que quero fazer aqui.

Quero usar da melhor maneira possível a ciência para analisar a política, sem deixar que os ideais sobreponham-se aos fatos.

Obviamente, tenho os meu vieses e por vezes eles deturparão a minha análise sem que eu mesmo perceba.

Por isso, peço que o ouvinte não tome minhas análises pelo valor de face, mas que as coteje com seus próprios conhecimentos.

Esta abordagem analítica não é a mais comum na ciência política brasileira.

Eu não tive uma só disciplina na minha graduação inteira que utilizasse essa concepção mais próxima da economia, por assim dizer.

Eu tive a sorte de achar um professor no departamento de filosofia que ensinava as técnicas básicas do que chamamos escolha racional.

Depois passei a estudar essas coisas por conta própria.

A situação é bem diferente nos EUA.

Lá, em praticamente todo programa de doutorado há uma seqüência de cursos em escolha racional e teoria dos jogos.

Mas essas discrepâncias são tema para um episódio futuro.

Esse foi o primeiro episódio do Política Sem Romance, espero que tenha agradado.

Meu email é o contato@politicasemromance.com.br.

Por favor escrevam mandando sugestões, comentários e críticas.

Obrigado pela atenção e até a próxima.

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